Publicado em Mulher de meia-idade, Utilidade Pública

Você se sente segura agora que chegou na meia-idade?

Você sabia que tem vídeo ensinando como você pode descer do ônibus no seu ponto de chegada com segurança? Não me refiro aos cuidados com a locomoção de uma pessoa debilitada que precisa descer a escada do veículo sem tropeçar, mas como chegar sã e salva em sua casa à noite depois de um dia de expediente.

Leis municipais estão permitindo que o motorista de ônibus pare fora do ponto determinado após certa hora da noite para que mulheres desçam de maneira segura. Em algumas cidades essas leis são aplicadas depois das 22 horas e os “pontos alternativos” encontram-se em ruas mais movimentadas e iluminadas. Foi preciso a criação de uma lei específica como paliativo para lidar com um enorme problema de segurança pública. Leia mais numa reportagem publicada pela👉 UOL.

do onibus

📌Estamos seguras nas ruas?

Meu filho com seus 10 anos caminhava pirilampo pelas calçadas da cidade quando ia e voltava da escola. A minha filha com 11 anos não tem a mesma tranquilidade de andar sozinha na rua, até mesmo durante o dia. Por quê? Medo das violências contra a mulher.

É muito injusto perceber que desde criança as meninas estão mais expostas aos prejuízos físicos e psicológicos que situações como esta acarretam. Sabemos também que tal restrição aplicada ao sexo feminino permanece em vigor até a idade adulta, contribuindo para a manutenção da desigualdade historicamente existente entre os gêneros, sobretudo a discriminação das mulheres em vários âmbitos.

Outro dia, uma conhecida, também na faixa dos 40, me contou que parou de estudar na 4ª série, pois na sua cidade pequena somente havia escola da “5ª a 8ª série” no período noturno. Seu pai dizia que, “filha mulher não podia estudar à noite“. O seu irmão mais jovem pôde continuar seus estudos normalmente, como os demais garotos da sua idade.

Dirigir sozinha nas rodovias ou num carro só com mulheres é arriscado pela possibilidade de ocorrência de algum problema mecânico no que nos force a parada na estrada. Este não é o maior problema, a preocupação é permanecer sozinha no acostamento pelo tempo necessário para resolver a situação. Nesse tempo, tudo pode acontecer as mulheres, desde assédios verbais a violências sexuais.

📌Estamos seguras em casa?

Imagine o seguinte, você está sozinha em casa, toca a campainha e o “moço da dengue” se apresenta. Um homem desconhecido que pede para entrar para verificar se não tem larvas do inseto nos pratinhos de flores, na água dos cachorros e tudo mais, enquanto vai rodopiando o quintal e outras áreas da sua casa. Você se sente segura em deixá-lo entrar? E o entregador de gás, de correspondências e mercadorias, também deixam você insegura? Você pode estar pensando: “que neura, Pri!

Destaco que há muita gente honesta e trabalhadora nesses serviços, porém, os noticiários são fartos de publicações de fraudes, roubos e violências em situações como estas. Por outro lado, o simples fato da presença de um único homem na sua casa poderia inibir intenções de indivíduos malfeitores disfarçados nas referidas ocupações que se aproveitariam da oportunidade para agir.

📌Estamos seguras no trabalho?

As mulheres que conseguem concluir seus estudos e se inserir no mercado de trabalho enfrentam os desafios relacionados à progressão na carreira. A maternidade permite a “pausa” 😅de alguns meses ou induz a desistência da profissão como se a tarefa de criar e cuidar dos filhos fosse inerente ao sexo feminino. A mulher abdica de parte de sua vida idealizada “o que ela queria ser quando crescesse“. Um sonho arduamente construído com estudo, trabalho e esforço, renunciado pela ilusão da ideia machista incutida num papel honroso da mãe altruísta e salvadora do lar.

Os colegas do sexo masculino, seguem suas carreiras de maneira contínua e ininterrupta, uma vez que não são cobrados pela sociedade e não é esperado deles tal escolha. Ao contrário, a mulher é julgada e taxada de egoísta ao escolher continuar enquanto o seu parceiro permanece em casa cuidando da prole, enaltecido por uns como “super pai” ou ridicularizado pelas costas por outros colegas que o chamam de “mulherzinha da casa“.

Dito isso, aonde quero chegar? Quando a mulher decide retornar ao mercado de trabalho, sente-se insegura ao lidar com os déficits e os prejuízos explicitados no seu currículo pelo hiato deixado pela ausência de capacitações, atualizações profissionais que não foram possíveis de se dedicar no período de “pausa” em que esteve sem emprego remunerado. Nesse contexto, podemos enxergar uma progressão desleal entre homens e mulheres. A defasagem, mais uma vez, aparece na idade adulta e na meia-idade.

Felizmente, existem iniciativas que valorizam a realocação dessas mulheres no mercado de trabalho. Posso citar a iniciativa da empresa Boticário que lançou um programa para capacitar mulheres com mais de 45 anos. Segundo a👉 Forbes, o programa é composto por aulas, mentorias e palestras de professores e profissionais do mercado e terá 6 meses de duração (carga horária de 100 horas). As inscrições ficarão abertas até 30 de setembro e as interessadas podem fazer a inscrição clicando👉 AQUI.

Não bastassem os obstáculos da própria carreira, temos que lidar com situações de assédio de vários tipos, sem contar as diferenças salariais. Muitas vezes o assédio pode acontecer devido à vestimenta ou às atitudes femininas, interpretadas de maneira equivocada pelos homens como permissão para invadir o espaço íntimo da mulher sem o devido consentimento. Mesmo havendo vestuário específico para a atividade laboral, que diluiria tais discrepâncias, algumas empresas continuam a oferecer uniformes que reforçam esteriótipos ocupacionais. Vou explicar dando um exemplo.

Enquanto as comissárias de bordo usam salto alto e saia como uniforme para trabalhar nas empresas aéreas, equivocadamente numa versão sensualizada ou objetificada da profissão, os comissários têm mais liberdade e desenvoltura ao usar calça e sapato confortável para executar a mesma tarefa. Alguns homens não levam a sério as profissionais, visto que percebem a roupa feminina como um convite às cantadas de mal gosto e aos comportamentos inadequados, como o toque em determinadas partes do corpo sem autorização, ferindo as regras sociais de distanciamento permitido entre passageiro e comissária.

Recentemente, algumas aeronaves começaram a embarcar um figurino mais atual e adequado à atividade feminina sem abdicar da elegância. De acordo com uma publicação de 2021 da👉 Isto É Dinheiro, uma empresa aérea adotou Tênis branco e um terno laranja adornado com um lenço de seda azul para as suas comissárias. Veja abaixo👇 como é mais fácil sentir-se segura em diferentes situações do trabalho com o novo vestuário.

📌Estamos seguras nos relacionamentos?

Não podemos falar de segurança nos relacionamentos, sem antes identificar quais são os tipos de violência contra a mulher, nomear para depois enfrentar cada um deles. A lei MARIA DA PENHA (LEI 11.340/2006) tipifica 5 formas de violência doméstica e familiar: psicológica, moral, patrimonial, física e sexual. No site 👉paracadauma.com.br (iniciativa da ONU) encontramos 👉explicações e exemplos de situações que se enquadram em cada uma das formas de violência citadas acima, para nos ajudar na identificação. Além disso, a página disponibiliza orientações sobre 👉redes de apoio e canais de denúncia.

Se você não é uma mulher em situação de violência, mas está em contato com uma mulher nesta situação, saiba que sua ajuda e escuta fazem toda a diferença. Nesse caso, o acolhimento é fundamental e para tal, o site oferece instruções sobre como devemos proceder.

Para os homens que querem entender melhor e auxiliar no combate e erradicação de comportamentos abusivos, dentre outras orientações propostas estão:

  • não tolere ações violentas de outros homens, sobretudo se forem seus familiares e amigos” e
  • ao se sentir em dúvida sobre as próprias ações e comportamentos, busque ajuda de profissionais qualificados, como os da área de psicologia, psiquiatria e de saúde mental, em geral“.

#AgostoLilás #ParaCadaUma

No Instagram as publicações da atriz Claudia Campolina se destacam por abordar esta temática e várias outras do universo feminino. Claudia é a criadora da webserieMundo invertido” onde encena situações sexistas do nosso dia a dia e reproduz frases masculinas que escutou ao longo da sua vida, interpretadas de maneira inversa. Com esta forma de atuação, as dificuldades e as inseguranças femininas decorrentes do ambiente tóxico, produzido por uma sociedade machista, são escancaradas para todos que quiserem ver e refletir. Assista um dos episódios abaixo👇e veja quão absurdas são as afirmações e a necessidade urgente de mudança!

Bem, antes de finalizarmos o texto, não vamos esquecer da dica de música do post deste mês.

#Dica de Música do Blog🎼

A música escolhida fala sobre ser “incontrolável“, “confiante” e “poderosa“. Com vocês o vídeo com música “Unstoppable” da cantora Sia, com letra traduzida para o português e clip do filme “Mulher-Maravilha 1982” (Canal Clipnet do Youtube). Inspire-se!👇

Voltando ao tema, o que podemos fazer para mitigar o problema? Sem dúvida, é preciso uma rede de apoio entre as mulheres para podermos lidar com todos esses casos supracitados, entre outros que eu ficaria um tempão redigindo. Sugiro algo do tipo daquelas redes de vizinhos que contribuem com a segurança do bairro.

Ana Fontes, fundadora da👉 Rede Mulher Empreendedora, em uma de suas postagens, explica que:

“Precisamos educar nossas meninas para serem mulheres livres e seguras! Meninas empoderadas, mulheres seguras.”

Em resumo, Ana diz o seguinte: outras meninas não são suas rivais; a sua autoestima depende de sua própria validação; é preciso se impor sempre que necessário e estar confortável consigo mesma; a escolha de casar, ter filhos é somente sua e “que mulher é sobre ser corajosa e livre

Afinal, nesse mundo hostil, devemos cuidar uma das outras, com sentimentos de fraternidade, como amigas, como gente da família. 👩‍👩‍👧‍👧

Então é isso, pessoal! Até o próximo post!

BEIJOS 💋

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BEIJOS 💋

#vicejarsempre

#simplifica

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Audioblog: Você se sente segura agora que chegou na meia-idade? 28/08/2022