Publicado em Mulher de meia-idade, Utilidade Pública

Meu corpo de mulher envelhescente

Envelhescência é o termo usado pelo sociólogo e psicanalista👉 Manuel Berlink e pelo escritor👉 Mario Prata para designar a fase entre a idade adulta e a velhice. Embora a tenha chamado em meus textos como meia-idade, envelhescência pode remeter mais ao processo (como adolescência) do que a um marco cronológico. Dos 45 aos 65 anos percebemos declínios físicos (talvez ficamos mais lentas e mais fracas) e modificações significativas mexem com o nosso organismo (a chegada da menopausa, por exemplo). A sociedade reduz gradativamente o interesse pela nossa atuação profissional quando queremos nos realocar no mercado de trabalho. Somos tachadas como “fora do prazo” para a admissão, mas muito “jovens” para a aposentadoria. Como a adolescência, a envelhescência é uma fase conflituosa tanto interna quanto externamente, considerando parâmetros físicos, psicológicos, sociais ou emocionais.

Para refletir um pouco sobre o assunto, vou compartilhar com você um curta-metragem, exibido pela Casa da Cultura da minha cidade como parte do calendário de atividades do Mês das Mulheres, onde pude me encontrar com pessoas de diferentes idades para uma conversa. O debate foi mediado pela Roteirista Audiovisual e leitora do blog👉 Cristiane Pederiva.

Guida” é uma animação produzida por👉 Rosana Urbes que ganhou o Prêmio Estímulo de Curta-Metragem 2010 promovido pelo governo do Estado de São Paulo.

Em um pouco mais de dez minutos de filme, a Rosana nos faz refletir sobre a nossa vida, valorizar o próprio corpo e nos traz a sensação de pertencimento ao nosso ser. O curta é composto por uma sequência de desenhos artísticos (8.000 desenhos feitos à mão) que refletem a sensibilidade da autora, nos faz pensar sobre as sensações simples vividas no dia a dia, as escolhas que fazemos constantemente e que nunca é tarde para realizar os nossos sonhos. A palavra que me veio a mente ao assistir ao filme foi “Liberdade“. Cique abaixo para assistir👇

Na minha opinião, não se trata somente de aceitar o corpo maduro, mas lidar bem com as nossas formas, texturas e sensações que ele nos proporciona.

As campanhas de aceitação do corpo, “politicamente corretas“, pipocam na mídia e nas redes sociais. Mas, quando você opta por apresentar um posicionamento crítico a respeito, seguramente vai ser taxada de fútil ou elitista. Vou apresentar o meu posicionamento.

Outro dia li uma postagem no Instagram de uma jovem que exibia fotos do seu rosto com marcas e muitos pontos de acne inflamada contendo o discurso dessa tal aceitação. Tem até um movimento chamado👉 Skin Positivity“. Você já ouvir falar?

Gente, a pele é um dos órgãos do corpo humano e deve ser cuidado como qualquer outro! A estética facial, embora incômoda nesse caso, é preocupação secundária considerando os problemas dermatológicos que podem ser piorados seja pelo descuido, por serem sintomas de algum outro problema orgânico mais grave, ou ainda, pela falta de condições financeiras para comprar remédios. Não compreendo ser benéfica uma campanha de aceitação nesse caso. “Acne é bonita“?👇

O ganho de peso pode ser esperado com o envelhecimento devido às alterações no metabolismo ao longo dos anos. A perda de massa magra (músculos) e da elasticidade da pele (diminuição do colágeno) também são realidades observadas, principalmente depois dos 40 anos. Porém, não precisamos “aceitar“, só porque é “assim mesmo que acontece nessa idade…”.

Não estou dizendo que devemos seguir padrões de corpos esbeltos de modelos “fotoshopadas” difundidos pela publicidade, mas não precisamos nos resignar e nos manter na inércia da “pseudo-aceitação” propostas por determinadas campanhas.

Por que não lançar mão do conhecimento das pesquisas científicas, da alimentação, da cosmética, da tecnologia, do exercício físico, entre outros, para cuidar, prevenir, tratar o corpo como ele merece em qualquer idade?

O que eu quero dizer é que não podemos aceitar essas campanhas que normalizam o problema, o que pode desencorajar a pessoa a buscar diferentes ajudas, a reivindicar maior acesso aos tratamentos disponíveis e ao acompanhamento posterior (no caso de recidivas).

Apoio fortemente as campanhas que incentivam o apoio social, a conversa entre as pessoas que buscam diferentes categorias de tratamento e que se encorajam a reclamar por acesso ao conhecimento e às novas estratégias para lidar com o problema.

Por exemplo, a prática regular de exercício físico resistido (a musculação, por ex.) vai te dar pernas torneadas e bonitas, mas sobretudo, vai te ajudar a prevenir a osteoporose. Caminhar ao ar livre (vitamina D) e comer verduras verde-escuras (cálcio) podem potencializar esse efeito.

Uma coisa é aceitar aspectos do nosso corpo que não se encaixam no “Padrão Barbie“, outra coisa é normalizar sinais que o corpo doente nos apresenta e precisam de intervenção, não de aceitação.

Na adolescência, eu não usava sandália por não gostar do formato dos dedos do meu pé (falei sobre os dedos de E.T. em outro texto do blog). Com o amadurecimento, eu aceitei essa minha característica que não me trazia prejuízo algum.

Contudo, caso não se sinta confortável com alguma parte do corpo e queira mudá-la reconhecer quem você é, vá em frente! Mude! Você não é obrigada a aceitar. Algumas campanhas para a aceitação, nos iludem a apenas aceitar a conviver com a situação. Você pode pensar: “Eu já tentei de tudo e não consigo. Acho melhor concordar com essas ideias“. Tudo isso pode desmotivar e mascarar os problemas. Portanto, se estiver em dúvida, procure ajuda profissional, grupos de apoio, mas não desista!

Recentemente a atriz Samara Felippo publicou um vídeo de desabafo sobre esse assunto. Com 43 anos e 2 filhas, sente a pressão da ditadura do corpo eternamente jovem imposto pela sociedade. É como nos sentimos também! Ela afirmou ter ganho muitas seguidoras nas redes sociais depois que assumiu seu cabelo natural grisalho. Porém, se resolver pintar, estar ou não maquiada, estar ou não arrumada, vai sofrer críticas tanto de um lado quanto de outro. O principal recado do vídeo é “Deixem-nos em Paz!“. Confira abaixo👇

Há gente que exagera e perde a noção de imagem corporal e se submete a inúmeros procedimentos para atingir sua meta (conforme a literatura, isso se encaixa no que denominamos Distúrbio Dismórfico Corporal). A Madonna vem se transformando (não sei bem em que…) assumindo uma corrida contra o tempo numa obsessão pela eterna juventude (Gerontofobia?). Aos 63 anos, em uma das fotos do Instagram, ela aparece como a “versão pirata” da cantora👉 Milley Cyrus que tem 29 anos (em formato artificial, claro). Definitivamente, ela tem👉 medo de envelhecer 👇.

Agora, enquanto processamos a informação, uma pausa para a dica de música.

#Dica de Música do Blog🎼

Em tradução livre, destaquei alguns trechos da música escolhida para o post de hoje.

“A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo
Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance
Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?”

“E o amor desafia você a mudar nosso modo de
preocupar com nós mesmos”

Under Pressure” da banda “Queen” nas vozes inconfundíveis dos astros da música Freddie Mercury e David Bowie é a música de hoje para refletir.👇

Para concluir, vou parafrasear a grande atriz Marieta Severo,

“O grande pânico não são as rugas. Eu me cuido, eu passo as coisas, eu faço laser para tirar as manchas, porque eu sou daquela do sol, né? Eu posso estar toda enrugada, mas eu quero meus neurônios todos funcionando. A mil! Por que eu vou inventar minha vida. Quando você perde isso, você não pode inventar a sua vida!

Então é isso, gente boa! Venha reinventar a meia-idade comigo!

#vicejarsempre

Compartilhe os textos com as amigas e amigos. Comente, sugestões de novos tópicos para serem abordados nos futuros posts.

Ótimo te ver aqui novamente.🥰

Grande beijo💋 e até a próxima!🧏🏻‍♀️

🎧Audioblog🎧

AUDIOBLOG: Meu corpo de mulher envelhescente. 24/04/2022.

Autor:

Partindo da vontade de compartilhar os meus anseios e necessidades de quem está entrando na meia-idade, iniciei a redação do blog incorporando nos textos a minha experiência profissional no campo pedagógico e científico na área da saúde, emoções e atividade física, bem como da minha vivência como mulher, mãe, professora entre muitos outros "eus" que me compõem.

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